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sexta-feira, 4 de março de 2011

Registo gráfico da primeira saída ao campo

Todos passaram pelos mesmos sítios, mas cada um reparou em coisas diferentes.
Os pormenores dos desenhos têm uma graça especial: um caderno de campo na mão de um menino, os picos de um cacto, árvores floridas, uma planta que parecia uma cebola, um desenho onde não há duas flores iguais, os taludes argilosos, um espargo...











quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Onde está a minha lagoa?

(Nota: este conto foi preparado como exemplo de um desenvolvimento para os Contos do Mago e dos objectivos e métodos do PREAA, ou seja, utilizar a arte como meio para a educação ambiental)


...A tempestade revolveu as areias de uma praia no norte de África, fazendo aparecer os restos de um barco naufragado e há muito esquecido. Nele se encontrava presa a moura Salúquia, dividida entre duas saudades: a do seu noivo e a da sua casa.

Foi um polvo que a ajudou a perceber que era um fantasma, adormecido há séculos sob as ondas e as areias.
Salúquia teve de se decidir. Quando percebeu que nunca reencontraria o seu noivo, deixou cair o livro de poemas que ele lhe tinha entregue e atravessou o mar de regresso a casa.
Guiou-se pela rota das sardinhas, dos atuns que as perseguiam, pelo voo dos bandos de abelharucos e, sobretudo, pelas vozes que a chamavam de longe. Estas eram milhões de vozes presas nas rochas que se formaram a partir dos esqueletos petrificados de animais marinhos.
Quando Salúquia chegou à Praia da Marinha e colocou as suas mãos sobre as rochas, estas vibraram e saudaram-na com mais força.
Salúqui perguntou-lhes pela sua casa à beira do paúl (da lagoa) onde o seu pai caçava aves aquáticas:
- A minha casa… será que ainda lá está? – Oxalá, oxalá! Mas como será que a encontro? (Salúquia já se tinha apercebido que a paisagem à sua volta se tinha modificado)
Foi nesse momento que uma voz a sobressaltou, quando lhe disse que a ajudaria a procurar a sua casa. Salúquia nunca tinha visto uma sereia; a sereia Seixa também nunca tinha visto uma moura encantada…
Subiram a arriba e olharam em redor… Foram andando ao acaso, à procura de pistas que lhes dissessem onde estaria a lagoa e a casa de Salúquia.
Pelo caminho, foram vistas por um melro que se interessou por elas e as seguiu. O melro não conhecia nenhuma lagoa. Foi à frente para ver se via alguma coisa em que nunca tivesse reparado.
- Vi apenas alguns charcos, mas não lhes chamaria uma lagoa…

Encaminharam-se para lá. De caminho, encontraram uma gineta que se preparava para ir caçar. A gineta acompanhou-as por algum tempo, apesar de não saber dar-lhes indicações.
Nos charcos encontraram uma velha pata real (D. Marquitas) que lhes disse para irem um pouco mais adiante à procura da sábia Luísa Vaz. A gineta não os acompanhou.
- Vão ter com Luísa Vaz: só ela será capaz…
Chegados a uma grande lameira plana e cheia de arrozais chamaram por Luísa Vaz, porque ela seria capaz.


Luísa Vaz era uma galinha sultana, ou camão. Era um animal extraordinariamente velho e sábio. Explicou-lhes que a lagoa que elas procuravam tinha deixado de existir há muito.
- Foi pelo cano!
Queria ela dizer que tinha sido drenada para se obterem terras de cultivo e para se eliminarem os mosquitos que provocavam o paludismo, ou malária.
Salúquia ficou destroçada.
O sol estava quase a nascer.
Luísa Vaz sugeriu-lhes que procurassem rochas ou árvores que a Moura reconhecesse. A partir desses marcos poderia chegar ao lugar onde deveria estar a sua casa
- Será que ainda lá está? Oxalá, oxalá!
Salúquia lembrou-se das oliveiras. Havia algumas oliveiras que já eram velhas quando ela era menina. Ainda lá estariam? Procurou-as e pensou que as encontrara, mas não conseguia ter certezas.
Por isso, sentou-se debaixo dos ramos de uma das oliveiras enquanto o Sol despontava e a sereia se despedia – porque as sereias não conseguem ester muito tempo debaixo do sol forte. Salúquia assegurou-lhe que continuaria a procurar a sua casa.
À medida que a luz aumentava, a moura ia ficando cada vez mais transparente.
O melro ficou a cantar num ramo, fazendo-lhe companhia.
Enquanto foi vivo, vinha de vez em quando ter com ela para lhe fazer companhia e cantar uma canção.


Para pensar:
Porque razão esta história se chama "Onde está a minha lagoa"? 
Por que razão chamámos Luísa Vaz à galinha sultana?
Indica o nome de um animal que migra entre diferentes regiões do planeta.
Por que razão Salúquia não encontrava a sua lagoa?
Por que razão Salúquia usou as oliveiras para tentar descobrir a sua casa?
De que material são feitas as casa tradicionais desta região? (Algarve litoral/barrocal)