Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Poemas de Rosa Lobato de Faria e Mia Couto

Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantigas dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.

Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
à saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.

Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.

Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.

Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber a coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.
Rosa Lobato de Faria



Árvore

cego
de ser raiz

imóvel
de me ascender caule

múltiplo
de ser folha

aprendo
a ser árvore
enquanto
iludo a morte
na folha tombada do tempo

Mia Couto



Identidade

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
O nexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato
morro
no mundo porque luto
nasço
Mia Couto



Viagem

O beijo da quilha
na boca da água
me vai trocando entre céu e mar,
o azul de outro azul
enquanto
na funda transparência
sinto a vertigem
da minha própria origem
e nem sequer já sei
que olhos são os meus
e em que água
se naufraga minha alma

Se chorasse, agora,
o mar inteiro me entraria pelos olhos
Mia Couto

Verdes são os campos

Quantas coisas conseguimos descobrir num único poema? Como é possível que se fale de tantas coisas ao mesmo tempo? Reparem como em poucos versos se encontram o amor pela natureza, o amor, a agricultura, a poesia...
 
Tal como Luís de Camões, vamos tentar partir do que observámos da natureza para criar os nossos próprios poemas... e os nossos herbários, e os nossos cadernos de campo... Para já ficaremos por algumas quadras.
 
Para nos inspirar, ficamos com este pequeno poema:
 
Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Camões foi um poeta mesmo genial...

...Aliás, a poesia é uma coisa mesmo genial...

...Aliás, seria uma ideia genial brincarmos com a poesia - entrar nela, fazer com ela asas para voar, respirá-la como os ramos das árvores respiram o orvalho, quando dormem durante a noite e se encontram a sonhar acordadas aos primeiros raios do sol...

Pessoal de Vale d'El-Rei, toca a trazer a poesia para a vida!!!