sexta-feira, 4 de março de 2011

Carnaval

Que grande cegada!
Camões nunca foi ao Brasil... Mas que importa isso? O nosso Luís Vaz haveria de gostar de conhecer as baianas de Vale d'El-Rei. 

...Baianas?

Projecto Educação para a Saúde... Alimentação saudável... Fruta... Carnaval...  Carmen Miranda... Baianas, é claro!!!



Depois de reunir a tropa, ala para o piquenique. No alto de um cabeço de onde se avista todo o prado há um pinheiro manso que estava à nossa espera desde Janeiro. Por baixo dos seus ramos há um tapete fofo de erva azeda. Foi sobre ele que se estendeu a toalha.
Talvez tivesse sido uma boa ocasião para recitar "Verdes são os campos" (por acaso houve dois meninos que o fizeram, cantando versos alternados), mas o pessoal estava cheio de larica e, com as bocas cheias de migalhas, encontraram poesia apenas nos deliciosos bolos da D. Telma e da professora.



Canta Baía!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Completar rimas

EB1 de Vale d’El-Rei / Biblioteca Escolar de Porches

Publicamos hoje o resultado do trabalho desenvolvido na semana passada (24 de Fevereiro) por uma parte da turma - os meninos que estão na fase de aprendizagem ou consolidação da leitura. O objectivo era que completassem quadras.


Este exercício foi concebido para crianças que estão a iniciar a aprendizagem da leitura e da escrita. Pretendeu-se, ao mesmo tempo, começar a desenvolver a noção de rima (métrica e som), utilizando quadras simples. As soluções escolhidas pelos alunos revelam, por vezes, que ainda sentem dificuldades em interpretar o texto – também porque ainda não dominam o código escrito. Optámos por transcrever a produção dos alunos, sem a corrigirmos, optando por reforçar positivamente o seu trabalho. Alguns dos exercícios foram resolvidos com ajuda (lemos em conjunto e procurámos as palavras que terminavam com um som semelhante, deixando a escolha final e a transcrição para os alunos).
Utilizámos canções para apoiar a compreensão das rimas e ensinámos um truque (que os alunos do 3.º e 4.ª anos aprenderam imediatamente): utilizar uma canção conhecida como matriz para a elaboração de novas rimas.

Os exercícios (veja o final desta mensagem) estavam divididos em dois níveis: 
  1. Os mais simples consistiam em ler/ouvir a quadra e encontrar uma palavra que rimasse: teriam de (por ordem de dificuldade) reconhecer o som, reconhecer a métrica e escolher um termo que fizesse sentido dentro do conjunto.
  2. Nos mais difíceis havia dois versos escritos e duas linhas em branco.

Para resolver qualquer dos exercícios foram dadas listas de palavras para escolher (aceitando-se outras que os alunos encontrassem por si)

Durante a semana a turma passou os seus trabalhos a limpo. 

O trabalho desenvolvido pelos restantes alunos foi a apresentação em Power Point que foi publicada em conjunto com esta mensagem.

A publicação destes trabalhos (com a excepção deste texto introdutório) foi feita pelos alunos Cíntia, Paulneel, David, Rodrigo e Diogo.
A preparação dos trabalhos para publicação foi feita pelos alunos sob orientação da professora Susana.




Está sonhando a Carlota
Com um futuro brilhante:
Quer deixar de ser bolota,
Transformar-se num gigante.
Diogo Santos 2ºano
   

Tenho agulhas nos meus dedos
Mas não sou costureiro.
Diz baixinho, em segredo:
O meu nome é pinheiro.
Pedro Silva 1ºano

Pegadas redondas
Ao cantar do galo
São marcas profundas
Dos pés de um cavalo.
Ana Reis 3º ano
Gonçalo Lamy 1ºano


                        Da minha janela à tua

Sai pela porta da rua
Para te dar um banquinho.
Ana Reis 3º ano

Esta sonhando a Carlota
Com um futuro brilhante:
Quer deixar de ser janota,
Transformar-se num gigante.
 Max 1º ano

Campo enfeitado
De cores amarelas
Belas
Selas  
Max 1º ano

 
Procura a palavra certa no lado direito da tabela
Está sonhando a Carlota
Com um futuro brilhante:
Quer deixar de ser _____________,
Transformar-se num gigante.
Bota
Nota
Janota
Bolota
Marmota
Diamante
Bastante
Radiante

Tenho folhas o ano inteiro
Às vezes fico sem roupa
O meu fruto é a bolota
O meu nome é _______________
Sobreiro
Pinheiro
Dinheiro
Pauliteiro
Costureira
Poupa
Sopa
Árvore

Tenho agulhas nos meus dedos
Mas não sou um costureiro.
Diz baixinho, em segredo:
O meu nome é ___________________
Alfaiate
Sobreiro
Pinheiro
Dinheiro
Costureira
Poupa
Copa
Árvore

No chão, entre as folhas
Chapéu amarelo.
Cuidado, não colhas
Aquele ____________________!
Caramelo
Pelo
Cogumelo
Mel
Flor
Rolhas
Bolhas
Fígado

Pegadas redondas
Ao cantar do galo
São marcas profundas
Dos pés de um __________________
Punhal
Pinhal
Cavalo
Hospital
Urso
Galo
Igual
Mal

Completa as quadras (para alunos mais avançados)
Da minha janela à tua
Vai apenas um passinho
___________________________________________
___________________________________________
Lua
Rua
Falua
Catatua
Passarinho
Ninho
Banquinho

Procurei-te em todo o lado
Em lado algum te encontrei
___________________________________________
___________________________________________
Fado
Bocado
Guardado
Nado
Lei
Sei
Achei

Debaixo daquele pinheiro
Pôs-se um melro a cantar
___________________________________________
___________________________________________
Cheiro
Aguaceiro
Sobreiro
Calar
Pensar
Sonhar

Campo enfeitado
De cores amarelas
___________________________________________
___________________________________________
Belas
Vê-las
Selas
Relas
Amado
Semeado
Pintado

Fui sentar-me a descansar
Em cima de um formigueiro
___________________________________________
___________________________________________
Lua
Rua
Falua
Catatua
Passarinho
Ninho
Banquinho

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Onde está a minha lagoa?

(Nota: este conto foi preparado como exemplo de um desenvolvimento para os Contos do Mago e dos objectivos e métodos do PREAA, ou seja, utilizar a arte como meio para a educação ambiental)


...A tempestade revolveu as areias de uma praia no norte de África, fazendo aparecer os restos de um barco naufragado e há muito esquecido. Nele se encontrava presa a moura Salúquia, dividida entre duas saudades: a do seu noivo e a da sua casa.

Foi um polvo que a ajudou a perceber que era um fantasma, adormecido há séculos sob as ondas e as areias.
Salúquia teve de se decidir. Quando percebeu que nunca reencontraria o seu noivo, deixou cair o livro de poemas que ele lhe tinha entregue e atravessou o mar de regresso a casa.
Guiou-se pela rota das sardinhas, dos atuns que as perseguiam, pelo voo dos bandos de abelharucos e, sobretudo, pelas vozes que a chamavam de longe. Estas eram milhões de vozes presas nas rochas que se formaram a partir dos esqueletos petrificados de animais marinhos.
Quando Salúquia chegou à Praia da Marinha e colocou as suas mãos sobre as rochas, estas vibraram e saudaram-na com mais força.
Salúqui perguntou-lhes pela sua casa à beira do paúl (da lagoa) onde o seu pai caçava aves aquáticas:
- A minha casa… será que ainda lá está? – Oxalá, oxalá! Mas como será que a encontro? (Salúquia já se tinha apercebido que a paisagem à sua volta se tinha modificado)
Foi nesse momento que uma voz a sobressaltou, quando lhe disse que a ajudaria a procurar a sua casa. Salúquia nunca tinha visto uma sereia; a sereia Seixa também nunca tinha visto uma moura encantada…
Subiram a arriba e olharam em redor… Foram andando ao acaso, à procura de pistas que lhes dissessem onde estaria a lagoa e a casa de Salúquia.
Pelo caminho, foram vistas por um melro que se interessou por elas e as seguiu. O melro não conhecia nenhuma lagoa. Foi à frente para ver se via alguma coisa em que nunca tivesse reparado.
- Vi apenas alguns charcos, mas não lhes chamaria uma lagoa…

Encaminharam-se para lá. De caminho, encontraram uma gineta que se preparava para ir caçar. A gineta acompanhou-as por algum tempo, apesar de não saber dar-lhes indicações.
Nos charcos encontraram uma velha pata real (D. Marquitas) que lhes disse para irem um pouco mais adiante à procura da sábia Luísa Vaz. A gineta não os acompanhou.
- Vão ter com Luísa Vaz: só ela será capaz…
Chegados a uma grande lameira plana e cheia de arrozais chamaram por Luísa Vaz, porque ela seria capaz.


Luísa Vaz era uma galinha sultana, ou camão. Era um animal extraordinariamente velho e sábio. Explicou-lhes que a lagoa que elas procuravam tinha deixado de existir há muito.
- Foi pelo cano!
Queria ela dizer que tinha sido drenada para se obterem terras de cultivo e para se eliminarem os mosquitos que provocavam o paludismo, ou malária.
Salúquia ficou destroçada.
O sol estava quase a nascer.
Luísa Vaz sugeriu-lhes que procurassem rochas ou árvores que a Moura reconhecesse. A partir desses marcos poderia chegar ao lugar onde deveria estar a sua casa
- Será que ainda lá está? Oxalá, oxalá!
Salúquia lembrou-se das oliveiras. Havia algumas oliveiras que já eram velhas quando ela era menina. Ainda lá estariam? Procurou-as e pensou que as encontrara, mas não conseguia ter certezas.
Por isso, sentou-se debaixo dos ramos de uma das oliveiras enquanto o Sol despontava e a sereia se despedia – porque as sereias não conseguem ester muito tempo debaixo do sol forte. Salúquia assegurou-lhe que continuaria a procurar a sua casa.
À medida que a luz aumentava, a moura ia ficando cada vez mais transparente.
O melro ficou a cantar num ramo, fazendo-lhe companhia.
Enquanto foi vivo, vinha de vez em quando ter com ela para lhe fazer companhia e cantar uma canção.


Para pensar:
Porque razão esta história se chama "Onde está a minha lagoa"? 
Por que razão chamámos Luísa Vaz à galinha sultana?
Indica o nome de um animal que migra entre diferentes regiões do planeta.
Por que razão Salúquia não encontrava a sua lagoa?
Por que razão Salúquia usou as oliveiras para tentar descobrir a sua casa?
De que material são feitas as casa tradicionais desta região? (Algarve litoral/barrocal)
Verdes são os campos: leitura em conjunto. Audição da canção.

Mudam-se os tempos - Luís Vaz de Camões/José Mário Branco

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Já memorizámos "Verdes são os campos"?... Muito bem!!!

Está na altura da nossa segunda visita ao prado... Se não chover. Já se notam diferenças 
em relação à nossa primeira saída. À medida que as plantas crescem, as diferenças entre as diferentes
espécies tornam-se mais evidentes. Começam a aparecer novas e flores que pareciam estar
adormecidas. 
 
A propósito de tantas mudanças, eis mais um poema de Camões para memorizarmos: 
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora* este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor** espanto:
Que não se muda já como soía*** .
 
 Luís de Camões 
                         
 
*Afora = "para além de..."; mor = "maior"; soía = "costumava"